quinta-feira, 6 de julho de 2017

[OBRAS DE MANUEL BANET] «Cambridge, Mon Amour»

Vejo e beijo estas pedras vetustas,
Talhadas, de fino grão, âmbar sombreado, 
Como as areias da minha distante costa
Este fino grão ecoa do murmúrio de um salmo

O também fino raio de luz, equação 
Newtoniana cintilação plácida do rio
Gentilmente patrulhado pelos gansos 
Monásticos guardas deste lugar

Olho o crepúsculo, por cima dos torreões 
Sobrevoando colégios e capelas
Farrapos improváveis de fantasmas 
em tons púrpura, bailando e fundindo-se...

Sinto que estás aqui, que me acompanhas...

«Aquele quadro, aquela fonte, aquela esquina, lembras-te?»
Evocarás os breves instantes de Cambridge
Um piscar de olho, uma cotovelada, um puxão de orelha
Abrirão meu rosto, nos meus velhos dias, e sorrirei.

                                                                                                                 (06-07-2017)