domingo, 27 de agosto de 2017

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

Pela sua relevância decidi traduzir, o mais fielmente que sei, o excelente artigo de Paul Craig Roberts.  O texto original encontra-se aqui.

                 


Teoria da Conspiração
Paul Craig Roberts
Nos Estados Unidos «teoria da conspiração» é o nome dado a explicações que divergem das que servem os interesses da classe no poder, a oligarquia, o «establishment» ou o que se queira chamar aos que estabelecem e manipulam as agendas e as explicações que apoiam essas agendas.
As explicações que nos são impostas pela classe no poder são, elas próprias, teorias da conspiração.Ainda por cima, são teorias da conspiração destinadas a esconder a conspiração real que os nossos governantes estão realizando.
Por exemplo, a explicação oficial do 11 de Setembro é uma teoria da conspiração. Alguns muçulmanos, sobretudo sauditas, realizaram a maior humilhação a um super-poder desde que David derrubou Golías com a sua funda. Conseguiram iludir todas as 17 agências de espionagem  segurança e as da NATO, de Israel, o Conselho Nacional de Segurança, a Administração de Segurança dos Transportes, o Controlo de Tráfego Aéreo e Dick Cheney, capturaram quatro aviões de linha americanos, derrubaram três arranha-céus do World Trade Center, destruíram a parte do Pentágono onde se realizava a investigação sobre os desaparecidos 2,3 triliões e fez com que os broncos em Washington culpassem o Afeganistão em vez da Arábia Saudita.
Sem dúvida, os sauditas que realizaram um ataque humilhante à América estavam envolvidos numa conspiração para o fazerem.
Será isto uma conspiração credível?
O engenho de uns poucos de jovens muçulmanos em desencadear tais acontecimentos é inacreditável. Um falhanço tão completo do Aparelho Nacional de Segurança [National Segcurity State] dos EUA significa que a América esteve cegamente vulnerável durante décadas de Guerra Fria com a União Soviética. Se tal falhanço do Aparelho Nacional de Segurança tivesse realmente ocorrido, a Casa Branca e o Congresso clamariam aos berros por uma investigação. Haveria pessoas responsabilizadas pela sucessão de falhas de segurança que ocorreram, que possibilitaram que os atentados acontecessem. Em vez disso, ninguém foi repreendido e a Casa Branca resistiu a todos os esforços para abertura de uma investigação durante um ano. Por fim, para calar a boca das famílias das vítimas do 11 de Setembro, uma Comissão foi formada. A Comissão, obediente, escreveu a versão governamental dos acontecimentos e nisso consistiu a «investigação».
Além disso, não existe evidência que apoie a teoria oficial da conspiração do 11 de Setembro. De facto, todas as evidências contradizem essa teoria oficial da conspiração. 
Por exemplo, está provado que o Edifício 7 desabou em queda livre acelerada, o que significa que ele tinha sido condicionado com explosivos para demolição. Por que foi isso feito? Não existe uma resposta oficial a esta questão.
A evidência fornecida por cientistas, arquitectos, engenheiros, pilotos e socorristas que estavam nas torres gémeas e que estavam lá no momento e ouviram numerosas explosões que fizeram cair as torres é, essa sim, considerada uma teoria da conspiração.
A CIA inventou a expressão «teoria da conspiração» e introduziu-a no domínio público como parte dos seus planos de acção para desacreditar os cépticos em relação ao relatório da Comissão Warren sobre o assassinato do Presidente John F. Kennedy. Toda a explicação diferente da que foi apresentada, a qual estava em contradição com toda a evidência conhecida, era descartada como sendo uma teoria da conspiração.
As teorias da conspiração são a coluna dorsal da política externa dos EUA. Por exemplo o governo de George W. Bush levou a cabo uma conspiração contra o Iraque e Saddam Hussein. O governo Bush criou falsas evidências de «armas de destruição maciça» iraquianas, vendeu a história mentirosa ao mundo crédulo e utilizou-a para destruir o Iraque e assassinar seu presidente. Analogamente, Khadafy foi vítima duma conspiração de Obama/Hillary para destruir a Líbia e o assassinar. Estava reservado o mesmo destino a Assad da Síria e ao Irão, caso os russos não tivessem intervido.
No presente, Washington está envolvido em conspirações contra a Rússia, a China e a Venezuela. Ao proclamar uma não existente «ameaça iraniana» Washington coloca mísseis na fronteira com a Rússia e serve-se da «ameaça norte-coreana» para colocar mísseis na fronteira da China. O democraticamente eleito presidente venezuelano é caracterizado por Washington como ditador e foram colocadas sanções à Venezuela para ajudar a pequena elite hispânica que, tradicionalmente, Washington usa para dominar nos países sul-americanos e desencadear um golpe que reestabeleça o controlo dos EUA sobre a Venezuela.
Todos são uma ameaça: Venezuela, Iemen, Síria, Irão, Iraque, Afeganistão, tribos do Paquistão, Líbia, Rússia, China, Coreia do Norte, mas nunca Washington. A maior teoria da conspiração do nosso tempo é a de que os americanos estão rodeados por ameaças do estrangeiro. Nem sequer estão seguros em relação à Venezuela.
O New York Times, o Washington Post, CNN, NPR, e a restante media prostituta do poder é rápida em descartar como teorias da conspiração todas as explicações que diferem das explicações que servem os interesses da elite no poder, que essa media serve.
 Porém, enquanto escrevo e desde há cerca de nove meses até ao presente, a média prostituta tem -ela própria- promovido a teoria da conspiração segundo a qual Donald Trump estava envolvido numa conspiração com o presidente da Rússia e com os serviços de espionagem russos para controlar e influenciar a eleição presidencial dos EUA e colocar Trump, um agente russo, na Casa Branca.
Esta teoria da conspiração não tem a mínima evidência a credibilizá-la. Mas não carece de evidência, porque serve os interesses do complexo militar/de segurança, o Partido Democrático, os neo-conservadores e permite à media prostituta demonstrar uma devoção sem falhas aos seus donos. Através de repetição sem fim, uma mentira torna-se verdadeira.
Existe uma conspiração e ela é contra o Povo Americano. Os seus empregos foram exportados para enriquecer ainda mais os que já eram ricos.  Eles foram forçados a entrar em dívida para manter os seus padrões de vida. O seu esforço para eleger um presidente que falasse por eles está sendo subvertido, diante dos seus olhos, por uma media profundamente corrompida e pela classe reinante.
Mais cedo ou mais tarde, eles ficarão cientes de que nada mais poderão fazer além de se revoltarem violentamente. Muito provavelmente, quando tiverem realizado isso, já será demasiado tarde. Os americanos são muito lentos a escapar da realidade ilusória na qual vivem. São um povo extensivamente sujeito a lavagem ao cérebro, que se apega à vida ilusória no interior da Matrix em que se encontra.  
Os ingénuos e acríticos que foram sujeitos a lavagem ao cérebro, que pensam que não são credíveis quaisquer explicações que diferem das oficialmente abençoadas, podem consultar em sítios da Internet longas listas de conspirações de governos que conseguiram enganar as pessoas para levar a cabo acções que -sem isso -  elas teriam rejeitado.
Se continuar a existir liberdade na Terra, não será no mundo ocidental. Será na Rússia, China  noutros países que emergiram de situações opostas e que sabem o valor da liberdade e nas nações da América do Sul, tais como Venezuela, Equador e Bolívia, que lutam pela sua soberania contra a opressão dos EUA.
Com efeito, tal como alguns historiadores não preocupados com as suas carreiras começam a escrever, a lição primeira da História é a de que os governos enganam os seus povos.
Em todo o lado, no Mundo Ocidental, o governo é uma conspiração contra o povo.